• Estilo, vertente, gênero, subgênero e muita invenção sem sentido (parte 2)

    Posted on 26 de março de 2011 by DJ LAB in Tutoriais.

    Parte 2

    Continuando a falar sobre o que andamos tocando na noite em relação a estilos, gêneros e outros. Aqui vão mais dois:

    -> Acid House:

    Sintetizador característico da Acid House

    Vertente já citada acima, mas indispensável. Logo de cara essa vertente se diferencia pela quebra da ideia mais melódica do House original. Abusando de sintetizadores como o Roland TB-303 (presente até hoje em muitas produções), é o pai ou mãe, como queiram, do Electro, outro estilo a ser comentado. Nem preciso dizer de onde vieram os instrumentos distorcidos e ácidos do Electro, preciso?

     

    Dizem que a Acid House deixou de ser uma vertente da House norte-americana quando ainda nos anos 80 chegou a Ibiza e foi reconfigurada e repatriada. Uma galera alegre, colorida, formada por muitos ingleses (eles de novo), inventou a smiley (a famosa carinha sorrindo que você usa no msn até hoje) que era o símbolo da cultura de uso de “ácido” (ecstasy) em raves. Alguns até defendem que o nome é derivado desse fato.

    Lembro-me bem do Bomb The Bass, M.A.A.R.S.  e Yazz estourando. A primeira vez que

    Símbolo da cultura “Acid”.

    ouvi “Yazz – Stand Up For Your Love Rights”, “Pump Up The Volume” e “Into The Dragon”tomei um susto. Era algo bem diferente de tudo que já tinha ouvido. Mais agressivo.

     

    Bomb The Bass na ativa até hoje.

    Lembro-me  também de ter lido uma história curiosa sobre o nascimento dessa vertente. Dois DJs de Chicago (não lembro os nomes) compraram uma TB-303 e como nunca leram o manual, tentaram fazer uma variação de linha de baixo menos “alegre” pra chamar a atenção de quem não era frequentador de locais onde só havia gays. O curioso é que eles nunca leram o manual e programaram ela de forma errada e ainda por cima esse equipamentos tinha um defeito de fábrica que fazia com que os beats ficassem com som artificial, nada parecido com o natural. No fim a soma de dois erros deu um acerto.

    Remix de Bomb The Bass – Beat Dis

    httpv://www.youtube.com/watch?v=AdHLn_iHTSs

     

    ->Electro:

    Pra quem não sabe, essa é uma contração para o nome completo Eletro-Funk (não confundir com o que chamam de Eletro Funk hoje em dia no Brasil) ou Electro-Boogie. Apesar de ser uma vertente, possui ramificações. Entre elas, uma das que ficou muito popular no Brasil:  o Electroclash. Complicou? Simplificando, A track Satisfaction de  Benny Benassi.

    httpv://www.youtube.com/watch?v=V5bYDhZBFLA

    Esse é o lado menos underground dessa vertente.  Ainda existe o Nu Electro, que esse sim, tem forte influência do Miami Bass e Freestyle.  No Brasil muitas pessoas conhecem como “música automotiva” ou para “teste de som automotivo”. Isso se deve principalmente pelos seus instrumentais pesados e carregados de graves.  Lamentável essa denominação.

    httpv://www.youtube.com/watch?v=JMhOtvwttfw

    Nu Electro, erroneamente chamado de “teste de som automotivo” no Brasil.

     

    O mais curioso é que o conceito dos timbres do Electro é anterior à própria House Music.  Eles foram a base do Hip Hop, Trance, Techno etc. Já existiam desde o começo da década de 70. A maioria das pessoas não sabe, mas por isso, o Electro tem mais a ver com o Funk Carioca do que com a própria House Music, já que bebem na mesma fonte. Duvidam? É só lembrar-se de onde veio a vertente carioca. Puxaram  do Afrika Bambaataa, Zaap e muitos outros. Ne se falava em Miami Bass nessa época.

    Qualquer semelhança não é pura coincidência

    httpv://www.youtube.com/watch?v=9lDCYjb8RHk

     

     

    Vale aqui uma observação. Acho muito importante acabar com esse preconceito que existe em relação ao Funk Carioca. Eu também não gosto das letras dele, mas devemos reconhecê-lo como parte de um estilo, de uma evolução natural que uniu  a música gringa com a necessidade de expressão de determinadas classes sociais. Se isso não é cultura, o movimento Rap, tão enaltecido aqui, também não é. Assim como o Miami Bass que tinha letras tão pesadas quanto. Podemos ter nossas opiniões, só não podemos deixar de entender o que significa cultura.

     

    Segundo o Wikipedia as definições / características do Electro são: “uso de drum machines como a base rítmica de uma faixa, mas como o estilo evoluiu e com o advento do uso do computador na música eletrônica, o uso de baterias eletrônicas tornou-se menos prática e generalizada. Os padrões de bateria do electro são emulações de breakbeats, com kick (bumbo) e usualmente snare (caixa) ou clap (palmas) acentuando o final do primeiro tempo do compasso. A diferença entre batidas de bateria do electro e breakbeats (ou breaks) é que o electro tende a ser mais mecânico, enquanto breakbeats tendem a assemelhar-se a um baterista humano real. A definição, porém, é um pouco ambígua por natureza, devido ao uso diverso do termo. Destacado, baterias percursivas tendem a dominar o electro; a maior parte das batidas é provida pela bateria eletrônica Roland TR-808. Entretanto, com o advento do uso dos computadores na música eletrônica este é considerado um método old school os computadores são o método mais utilizado atualmente pelos produtores de electro ao redor do globo. A TR-808, criada em 1980, tem uma sonoridade que pode ser imediatamente reconhecida e ainda permanece popular no electro e outros gêneros eletrônicos. Outros instrumentos do electro em grande maioria eletrônicos são geralmente analog synthesis, bass lines (linhas de baixo), sequenciadas ou arpejadas em riffs sintéticos, os efeitos tonais são criados com sintetizadores”.

    Post Tagged with ,
Comments are closed.